segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

'Fomos provocados a reavaliar nossa posição'

O reitor Pedro Fernandes, candidato à reeleição ao comando da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, afirma que foi provocado para reavaliar sua posição e, depois disso, resolveu buscar a renovação do mandato. Nesta entrevista, Pedro fala sobre o fato da Uern ser uma fonte de poder (conhecimento), voto paritário e do projeto de continuar ações com vistas ao fortalecimento da vida acadêmica. Leia abaixo:


Uma Universidade é a maior fonte de poder de uma cidade. É onde se trabalha o conhecimento. Ao longo desse tempo, a Uern tem sido vista como fonte de poder?

A Universidade é fonte de conhecimento. Esse é o maior poder. Nós temos investido nesse conhecimento praticando ensino, pesquisa e extensão, com os componentes curriculares bem definidos, grupos de pesquisa em constante avaliação e estruturando os núcleos de extensão. Importante destacar a indissociabilidade desse tripé, pois o conhecimento adquirido em sala de aula, deve ser aprofundado em pesquisas e difundido à comunidade. Hoje, a maioria dos docentes são doutores, temos incentivo através de bolsas em todas dimensões. A UERN oferece graduação e pós-graduação, nível mestrado, em todas as áreas do conhecimento, distribuídos em quatro municípios do interior do Estado. Abro um parêntesis para dizer que esse era um dos maiores desafios do sistema nacional, expandir e interiorizar a formação continuada, segundo o Plano Nacional de Pós-Graduação e o Plano Nacional de Educação.  Um outro ponto que deve ser destacado é a interação com a educação básica, pois além da formação de professores através dos cursos regulares, temos hoje um amplo Programa de Formação de Professores da Primeira e Segunda Licenciaturas (PARFOR) e um destacado Programa de Iniciação a Docência (PIBID).


O voto paritário, uma conquista de anos de luta, marcará a eleição deste ano. (para comentar)

A gente tinha a intenção de aprovar a paridade dos votos para a escolha dos dirigentes da Universidade desde que nos candidatamos para concorrer às eleições para reitoria em 2012. E ao longo destes três anos, nós trabalhamos na defesa e na busca do convencimento pelo voto paritário. A Universidade é formada por professores, técnicos e estudantes. Não fazia sentido a gente ter uma escolha de um dirigente da Universidade, seja ele o reitor ou o diretor de uma unidade, onde apenas um segmento decidisse a escolha. No ano passado, o Conselho Universitário (Consuni) aprovou a paridade para as eleições na Universidade. Devemos ressaltar que esta não é uma luta individual de ninguém, é um conjunto.


Por quais motivos o senhor resolveu se candidatar à reeleição?
Havíamos decidido concluir nosso mandato em setembro, por entender que nós fazemos parte de um projeto impessoal. Hoje, a Uern está sólida academicamente, com graduação e pós-graduação em todas as áreas, com cursos bem avaliados e reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação e pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). No entanto, fomos provocados a reavaliar nossa posição por acreditarem no projeto de desenvolvimento e fortalecimento que vem sendo realizado na Universidade. Então, depois de conversar com membros da comunidade acadêmica, amigos e familiares, que me incentivaram a buscar permanecer no cargo e dar continuidade a este trabalho que vem sendo desenvolvido na Universidade, decidi colocar meu nome mais uma vez à disposição da comunidade universitária. No dia 26 de janeiro registramos nossa candidatura, juntamente com a professora Fátima Raquel, que anseia pleitear o cargo de vice-reitora, e estamos aguardando o deferimento do registro.

A política acadêmica mudou com a vinda de vários cursos de mestrado e de doutorado à Uern?
Primeiramente, é preciso reconhecer o trabalho contínuo, que iniciou desde a fundação da Uern, com políticas de capacitação e incentivo, que culmina na pesquisa e pós-graduação. Hoje nós temos 24 cursos de mestrado e doutorado, em todas as áreas de conhecimento, em quatro municípios do interior do Rio Grande do Norte. São 791 matriculados em cursos de pós-graduação na Universidade. Nós temos duas centenas de bolsas de mestrado, injetando no município em torno de R$ 300 mil mês. Além disso, os cursos de pós-graduação contribuem de todas as formas com o desenvolvimento socioeconômico da região, trazendo pessoas de todas as regiões, de outros estados, que vem se pós-graduar aqui. Outra coisa importante destacar com essa ampliação da pós-graduação na Universidade é que nós passamos a ver um ambiente acadêmico com os mais variados níveis de conhecimento, onde nós temos alunos de graduação, alunos de pós-graduação, alunos de Dinter (Doutorado Institucional), nossos professores e técnicos-administrativos fazendo mestrado/doutorado na nossa instituição, alunos de residência médica, residência multiprofissional, então temos hoje circulando em nossa instituição diferentes níveis de formação, servidores muitas vezes sendo alunos, alunos sendo professores e/ou técnicos, e isso contribui bastante para o processo de formação de nossos estudantes.

No seu primeiro mandato, o senhor atraiu alguns integrantes da oposição ao seu lado. Isso foi uma forma de integralizar a Academia?
Temos buscado desenvolver nossa gestão com base no diálogo. Temos um canal aberto com os estudantes, buscamos sempre dialogar com os professores e técnicos, visando sempre destacar a importância da união da comunidade acadêmica na luta de melhorias, na luta por uma estrutura acadêmica adequada, um espaço físico adequado. A Universidade deve estar acima de qualquer interesse pessoal ou de grupos. A nossa política foi o Ensino Superior, o nosso partido é a Uern, a nossa bandeira foi a defesa dessa instituição. Por isso, sempre buscar unir forças, integralizar a acadêmica visando melhorias, nos unindo àquele que se mostrava disposto a somar a este projeto que busca o desenvolvimento e o fortalecimento da Universidade.

Quais os desafios que a nova administração da Uern terá para os próximos quatro anos?
A Uern trabalhou bem nos últimos anos uma solidez acadêmica. Hoje 84% dos nossos docentes são mestres ou doutores, sendo a maioria doutores. Temos 80% dos nossos docentes com dedicação exclusiva, nós temos todos os nossos técnicos concursados. Temos a oferta de curso de graduação e pós-graduação todos reconhecidos e bem avaliados. Então, o nosso grande desafio hoje é essa inserção social. E a gente tem capacidade de fazer isso. O conservatório de música, o ambulatório de medicina com mais 20 especialidades atendendo a sociedade, os núcleos de prática jurídica, o núcleo de línguas, as clínicas odontológicas, o complexo cultural, as atividades de extensão desenvolvidas pelos cursos, os grupos de dança, de teatro, as nossas estruturas abertas à comunidades. As políticas e ações inclusivas, que vão desde um corredor desobstruído a vagas destinadas a pessoas com necessidades especiais para o ingresso em nossos cursos. Oportunizar o intercâmbio interinstitucional, nacional e internacional, ainda é um grande desafio, principalmente depois da redução do programa ciências sem fronteiras.  Então, o nosso desafio interno é consolidar as políticas de assistência estudantil; perseguir uma adequação de infraestrutura; assegurar os planos de cargos, carreira e salário dos nossos servidores; potencializar a capacitação dos nossos técnicos. Desse foco interno teremos condições de, mais ainda, atrair a população para nossa Universidade. É nesse sentido que a Universidade tem que expandir, ela tem que ter espaços interdisciplinares, com sua capacidade instalada. Digo que enquanto as licenciaturas fomentam a educação básica e o bacharelado fomenta o desenvolvimento dos municípios, através de consultorias, parcerias e políticas públicas.


A autonomia financeira foi bem discutida ao longo da sua gestão...
A gente discute a autonomia financeira da Uern há alguns anos como reitor. Recebi do então reitor Milton Marques um documento que foi fruto de uma comissão paritária formalmente constituída na gestão dele. Quando recebemos o documento, estudamos o documento e fizemos um estudo de conhecimento da realidade e necessidades da Universidade, a fim de que a autonomia financeira pudesse ser construída em bases sólidas e sustentáveis. Identificamos a necessidade de criação de leis que respaldassem esse anseio da nossa instituição. Conseguimos aprovar na lei estadual que rege o Plano Plurianual (PPA), de 2016 a 2019, e na lei do Plano Estadual de Educação, de 2015 a 2025, metas, diretrizes que apontassem para a autonomia financeira da Uern. Fizemos em 2016, juntamente com servidores voluntários, praticando a transparência do processo, uma atualização desse documento. Temos avançado em direção a desejada autonomia financeira.

Hoje temos duas leis norteando a autonomia financeira da Uern, temos um documento atualizado, uma frente parlamentar e popular em defesa da UERN que vem focando nesse tema e espero que ainda nessa gestão, até setembro deste ano, a gente possa conseguir avançar na autonomia financeira para nossa Universidade.


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