terça-feira, 9 de agosto de 2016

Olhando a vida

Bibi, Ismênio, Lili e tantos outros personagens folclóricos da cidade de Grossos perderam seu principal admirador. O radialista Carlos Alves partiu. Deixou um legado. De amizade, principalmente. Algo que se viu pela quantidade de pessoas que foram se despedir. E, diante de tal quadro, fica a pergunta: qual o sentido da vida? Bom, de certo modo Carlos Alves deu a resposta. A vida tem que ser vivida e que é possível, em meio ás tempestades inerentes ao viver, que se pode rir. Que é possível enxergar o outro, independentemente de qual lado seja ou esteja. Agora, sem sua presença física, fica sua essência. E esta rende saudades à família e amigos.

O blog, sinceramente, questiona o sentido da morte. E, como este espaço é afeito às questões filosóficas, busca em Platão e Aristóteles alguma explicação. Os dois afirmam que o conhecimento (a Filosofia) surge por causa do espanto, da surpresa que se tem em alguma coisa. Assim sendo, a morte nos seria o princípio inicial disso tudo. Afinal, é preciso existir vida. E esta não acabaria com a morte propriamente dita. Pois fica a essência do que existiu, fisicamente falando. E tal essência está em cada canto da cidade praiana. Está em sua família, seus filhos e netos.

Mas se a morte é tudo isso, por quais motivos as pessoas choram? Justamente pela dor. Pelo espanto de terem perdido alguém querido. O espaço, o vazio, ficará na família. Mas se formos analisar, novamente, pelo viés filosófico, o vazio é cheio de tudo, conforme ensina Kierkegaard. Uma das frases deste teórico da Filosofia se encaixa perfeitamente nesta postagem: "Sofrer é só uma vez; vencer, é para a eternidade."

Para compreender melhor, eis outra frase do mesmo filósofo: "A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás....". E é com esse pensamento que o blog foge um pouco suas postagens para reverenciar alguém que foi, e ainda é, exemplo para muitos. Principalmente para a família e amigos. Aos irmãos de Carlos Alves, os sentimentos do blog e a certeza de que a ausência será preenchida pela lembrança de momentos felizes. Aos filhos e esposa, a dor não vai passar... Mas lembrem-se de que tudo na vida tem um propósito e quando se morre é que poderemos, quem fica, saber qual seria. Um dia essa descoberta virá. Quem sabe os gêmeos pequenininhos não sejam a resposta? E estão neles a essência do avô.

Difícil encontrar palavras certas. Complicado se despedir de alguém que, definitivamente, marcou pela sua passagem por aqui. Mas ali, sem palavras, talvez o titular deste espaço tenha tido a conversa mais longa com Carlos Alves. E o blog compreendeu que um ciclo termina para outro seja iniciado. Agora é a vez da dor. Logo outro surgirá, talvez com José Enrico e João Carlos. Talvez com Carla Jordânia. Talvez com Jordão... Nunca se sabe. Mas para tudo existe uma resposta e esta virá quando a dor tiver passado e a saudade tiver encontrado um lugarzinho no coração de todos e amenizado o espanto provocado pela morte. Mas é igual diz Heráclito: morte e vida se completam... Compreender esta complicada harmonia é que é difícil. Ainda mais quando quem parte é alguém bem próximo. De certeza, contudo, é que ninguém está preparado para isso. Descanse em paz, meu amigo. Descanse em paz, Carlos Alves!

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