quarta-feira, 27 de julho de 2016

Felicidade de alguns está na tristeza de muitos

Quando se pensa que as coisas podem melhorar, eis que surge alguma coisa que atrapalha tudo. A postagem não é direcionada a ninguém. Apenas mais uma espécie de desatino de palavras do blog. Em sala de aula, onde o titular deste espaço atua como professor de Filosofia, discute-se sobre felicidade. Todos, independentemente de quem seja, a busca incansavelmente. Como se o viver feliz fosse uma conquista, algo a ser buscado sempre. E quando se encontra, ela simplesmente se esvai. E recomeça-se praticamente do zero. Até reencontrá-la e, mais uma vez, voltar a perdê-la.

Em suma, vale aqui a deixa já descrita neste espaço: ninguém é feliz sempre. Pegando carona no ensinamento do professor Clóvis de Barros, doutor em Ética da Universidade de São Paulo (USP), o homem (homem e mulher, criança, adolescente, idoso) tem lampejos de felicidade. A comparação que ele faz com isso é por meio de uma analogia simples: o ato de comer uma pamonha:quando se está com fome e se encontra uma banquinha do produto, come-se até encher o bucho totalmente. A fome dá lugar à saciedade. A tristeza perdeu lugar à alegria, felicidade. Até que o corpo faça seu trabalho e a fome volte a atacar.

Direcionando essas palavras à política que a gente conhece, a partidária e que faz parte do cotidiano, percebe-se que a busca pela felicidade estaria atrelada à conquista do voto e, consequentemente, à vitória. Analisando cenários diversos, seja na esfera municipal, estadual ou federal, o eleitor se vê envolvido em falsas felicidades e, de uma maneira ou de outra, tem seus lampejos de alegria. Até precisar de serviços tidos como essenciais à vida. Os quais sempre falham na hora que alguém precisa. Seja saúde, educação, segurança, cultura, entretenimento, esporte, lazer ou quaisquer outros.

Assim sendo, e deixando de lado o aspecto do senso comum, a felicidade nada mais é que um engano, uma espécie de passatempo para a humanidade. Uma mera sensação de bem-estar que acaba de maneira abrupta e que leva à necessidade, consequente, de buscar algo novo que possa, de maneira geral, suprir alguma lacuna. Por isso que se tem críticas e queixas demasiadas em torno ou contra detentores de mandatos eletivos. Estes não estão, ou não estariam, preocupados em garantir felicidade à população. Fosse diferente, não se teria tanta roubalheira ou acusação de desvio de verba pública aos milhões de milhares.

Com a crise econômica que atravessa a garganta, o estômago, o bolso e até a vida do cidadão, e diante de comentários de gestores de que a "coisa está difícil", que "não sabe mais o que fazer para a segurança" ou que poderá haver "atraso salarial", por quais motivos se tem tanta briga por algo falido? E a resposta parece ser bem óbvia: a felicidade de alguns está na miséria e tristeza de muitos.

E, então, por quais motivos ainda se fala tanto em felicidade se esta está longe de ser alcançada? Por quais "cargas d'águas" se vê tanta briga virtual na defesa de candidatos distintos, se, no final, todos, ou a maioria, vai terminar provocando a infelicidade daqueles que hoje se sentem felizes em denegrir alguém pelo simples motivo de ser útil a alguém? Difícil compreender a complexa e diversa capacidade do homem em buscar a tão falada felicidade.

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