sábado, 28 de maio de 2016

'Não seria surpresa se os dois partidos estivessem juntos'

Não se deve estranhar se PSD e PP saírem juntos nas eleições deste ano. Foi o que afirmou o prefeito Silveira Júnior (PSD), pré-candidato à reeleição, ao comentar sobre a ida da professora Izaura Rosado à Fundação José Augusto e indicada pelo PP. Ocorre que o Partido Progressista tem uma pré-candidata, que é a ex-governadora e ex-prefeita Rosalba Ciarlini. Nesta entrevista, o prefeito fala sobre o tema, rebate críticas feitas por Rosalba e discorre sobre PT e composição da chapa proporcional. Veja abaixo:

O ano de 2016 tem a particularidade de reduzir o período administrativo em virtude das eleições. Como o senhor pretende trabalhar obras, editais e serviços?
De maneira alguma. A redução do período administrativo não tem relação com as eleições. O expediente corrido, das 7h às 13h, já vem sendo adotado desde o ano passado, como medida para redução de custeio, como energia, água, combustível, entre outros. Acredito que 80% ou mais dos prefeitos do Rio Grande do Norte adotaram essa medida. No entanto, isso não prejudica obras ou serviços, pois todos os servidores estão empenhados para cumprir suas atribuições dentro do expediente corrido.

Qual a projeção que se pode fazer, administrativamente, para este ano?
A melhor possível. Estamos enfrentando a maior crise da história e estamos conseguindo manter os serviços essenciais funcionando, conseguindo manter a folha em dia, e até conseguindo abrir novos serviços. Há muita coisa que plantamos e ainda vamos colher, como o nosso parque municipal e muitas obras que iremos entregar ainda esse ano.

O senhor lançou, recentemente, o Parque Municipal e expôs a maquete do Santuário de Santa Luzia. Dará tempo para apresentar algo concreto à população?
O Parque Municipal é uma realidade. As pistas já estão 90% concluídas, assim como o Pórtico. Iremos agora iniciar a iluminação e em junho começaremos as quadras e equipamentos de praças e parques. A previsão é de que em 1º de julho possamos entregar uma parte do parque e a outra parte até dezembro. Sobre o Santuário de Santa Luzia, tudo que estava ao nosso alcance, nós já fizemos. Não terá dinheiro público. Terá a participação da iniciativa privada e será uma obra para a história. Será uma nova cadeia produtiva, que irá fomentar 52 segmentos, gerando emprego e renda.

Como o senhor tem trabalhado para quitar dívidas, pagar servidores e, ao mesmo tempo, equilibrar as finanças na atual conjuntura econômica do País?
Desde que assumimos a Prefeitura de Mossoró, iniciamos um trabalho de redução dos gastos com o dinheiro público, a começar com o fim da personificação dos símbolos da Prefeitura, o que resultou em uma economia de quatro a cinco milhões de reais. A cada quatro anos, mudava-se tudo na Prefeitura. Cores, adesivos, fardas, pintura de prédios, tudo com as cores adotadas pela nova gestão. Depois realizamos uma auditoria na folha de pagamento e conseguimos reduzir mais de um milhão de reais. Outra medida foi o controle dos plantões e horas extras. Quando assumimos encontramos o absurdo da utilização de plantões e horas extras como complemento salarial para alguns profissionais. Hoje, esse pagamento é feito a quem realmente tem direito, aos profissionais que trabalham nesses plantões. Recentemente implantamos o almoxarifado central, que acarreta uma economia de 30% a 40%. Também conseguimos reduzir custos com a implantação da usina de oxigênio, que possibilitou que deixássemos de gastar meio milhão de reais por mês, para gastar meio milhão de reais por ano. Reduzimos as secretarias, de 19 para 11. E graças a todas essas reduções, estamos conseguindo enfrentar a pior crise da história desse país. Estamos administrando a Prefeitura com uma receita de cem milhões de reais a menos que os anos anteriores. Sempre digo que crise passa, e quando essa passar, estaremos bem situados e poderemos avançar muito com obras, infraestrutura e melhorias para o servidor e para a nossa cidade.

Recentemente o PT saí da sua base. Como o senhor viu essa decisão?
O PT ainda não saiu oficialmente. Foi uma decisão da executiva, e esperamos ainda espera que o partido continue na nossa base. Temos bons aliados, pessoas que constroem, que opinam e participam do nosso governo. Espero que continuem, mas qualquer que seja a decisão, nós vamos respeitar.

A ex-governadora Rosalba Ciarlini, em recente aparição na propaganda do PP, fez críticas à sua administração, indiretamente....
Não tenho nada contra a ex-governadora Rosalba Ciarlini, votei nela inúmeras vezes e só posso lamentar a atitude da ex-governadora em usar um programa político de TV, que tem o objetivo de apresentar propostas ao eleitor para criticar um gestor. Me impressiona ainda mais porque ela passou por isso, de forma pelo menos dez vezes menor do que estamos passando. Ao contrário do que ela disse no programa, quando foi governadora, ela teve que demitir mais de mil funcionários do MEIOS. Quando foi prefeita, também demitiu mais de mil pessoas da Prefeitura. Nós, ao contrário, conseguimos contratar mais de 600 pessoas em dois anos, ao invés de demitir. Me impressiona essas críticas partindo de uma governadora que atrasou folha e teve seu governo marcado por escândalos. Talvez ela não queira reconhecer que estamos pagando a folha em dia, abrindo novos serviços, e conseguindo tirar do papel todas as propostas que estavam no nosso plano de governo, mesmo com cem milhões de reais a menos, ao contrário do que ela fez. Ela prometeu uma obra no Nogueirão no valor de R$ 40 milhões, apresentou até uma maquete, e não foi feito. O Teatro Lauro Monte, também não conseguiu reabrir. Teve oportunidade de resolver o plus da oncologia de Mossoró e também não resolveu. Foi um governo pífio, que deixou muito a desejar, em uma crise que não chega a ser 10% da atual. Se você comparar, o governo dela na época em que o município ia muito bem, não foi construído um hospital municipal, não foi construída uma maternidade e não foi construída nenhuma obra que hoje desse sustentabilidade à cidade, apesar de haver recurso para isso. Ela sempre confiou no sal, petróleo e fruticultura, não fez nada para aquecer e fomentar essas cadeias, e também não se preocupou em criar uma nova cadeia produtiva para Mossoró. Um dos grandes problemas que estamos passando hoje é a falta de investimento para termos retorno, que deveria ter sido planejado no passado e não foi. Nós estamos pensando na Mossoró de agora, e de amanhã, a exemplo do Santuário de Santa Luzia.

O senhor vai à reeleição?
Reeleição é algo que vou decidir na época certa. Em virtude da crise, não podemos pensar na administração e na eleição.  Eu preferi tomar essa decisão juntamente com meu presidente de partido, somente no mês de julho. Mas, se você analisar, os últimos gestores de Mossoró, Fafá Rosado, Rosalba Rosado e Dix-huit Rosado, tiveram de 8 a 12 anos. Nós estamos somente há dois anos e enfrentamos a pior crise da história. Fica quase impossível resolver todos os problemas da cidade em apenas três anos. Conseguimos resolver problemas graves, que ninguém nunca tinha tido coragem para resolver, como o transporte público, o Nogueirão, a maternidade, mas nós precisaríamos de mais tempo para implementar toda a mudança que pretendemos. Se conseguirmos viabilizar o nosso nome, estamos sim pensando em uma candidatura de reeleição, mas só vamos decidir na época certa.

Especulou-se que a ida da professora Izaura Rosado, cunhada da ex-governadora Rosalba Ciarlini, para a Fundação José Augusto, teria passado por Mossoró. O governador Robinson Faria conversou com o senhor sobre o fato?
Conversou sim. O PP é aliado do governador e o deputado Beto Rosado esteve nas eleições com o governador Robinson Faria. Inclusive eu ajudei nessa coligação. Eu fui o advogado de Beto Rosado nas eleições de 2014 para viabilizar essa união. Com essa saída do PT do governo, abriram-se novos cargos, e era normal que o governador convidasse o PP, que é um partido aliado e não estava participando do governo. Vejo como um fortalecimento. Vejo que o PP está cada vez mais próximo do governador Robinson, que é nosso líder maior, e para mim não seria surpresa, se nas eleições desse ano, os dois partidos estivessem juntos. 

Como o senhor pretende conduzir o processo de aliança às eleições deste ano? Já tem conversas sobre a composição da chapa?
No período de pré-campanha saímos muito fortalecidos. Acredito que dos grupos que pretendem concorrer nas eleições desse ano, o nosso grupo foi o que saiu mais fortalecido. Saímos com 16 partidos, dos 30 existentes. Saímos com 167 pré-candidatos a vereador, com o maior tempo de televisão, com o maior número de vereadores com mandato. Acredito também que nos fortalecemos muito com a filiação do Reitor Pedro Fernandes. Isso nos deixa em uma situação mais tranquila em relação aos outros candidatos, mas nós vamos conversar sobre composição de chapa e sobre candidatura somente em julho.

Qual será a ideia a ser trabalhada com relação à chapa proporcional?
Nós temos 16 partidos na chapa proporcional. Vamos esperar essa decisão do PT, caso ele saia, nós iremos sair com 15. A ideia é sair com cinco coligações, de três partidos, cada uma. E pretendemos eleger de 14 a 16 vereadores.


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