segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Mais uma divagação: fiozinho de esperança

O gado morre de sede. De fome. Falta chão. Ou melhor, este se apresenta como realmente é: vermelho. Igual ao que o Sertão. Entra ano, sai ano e tudo gira em torno de uma coisa só: o homem do campo está onde sempre esteve: à espera do milagre. Alguns não conseguem tanto tempo e sequenciam o que muitos já fizeram e deixam suas origens em busca da sobrevivência. No sertão, homens e animais estão entregues a uma sorte secular, marcada pela ausência quase total de políticas públicas e entregues ao sol escaldante próprio da região.

O chão vermelho, o barro, seco. Árido. Típico de um clima que não se acostumou com chuvas. Mas a estiagem que vem se mantendo abre espaços para que se diga que a terra nordestina não seria abençoada, onde animais e homens padecem de fome e sede. Onde a agricultura deixou de ser uma política econômica forte para ser vista como algo danoso à vida. Sim, pois sem chuva nada floresce. Tudo murcha. seca.

Os sinais de bom inverno deixaram de ser interpretados como algo realmente bom. E o homem do campo, por mais que acredite em experiências dos mais velhos, já não está tão confiante em bonança. Mas a esperança ainda não morreu. Basta visitar algumas localidades rurais, onde elas existam, para ter a certeza de que realmente a esperança é a última que morre. O gado pode morrer. Pode faltar comida na mesa do trabalhador rural. Pode faltar tudo. Mas ainda existe um fiozinho de que tudo vai ser diferente nos próximos anos.

E é assim, presos nesse fiozinho de esperança, que todos estão. Moradores do campo e das cidades. Os males vivenciados na zona rural são os mesmos da zona urbana. Se falta água no campo para a produção agrícola, falta comida nas prateleiras. Ou então os preços são exorbitantes. Muito acima do que deveria.

Água e comida acabaram se tornando símbolos de luxo.

Previsões meteorológicas divulgadas até agora não são boas. Dizem os meteorologistas que 2016 será de pouca chuva. Mas previsão é previsão. Pode ou não se concretizar. É igual a um orçamento financeiro: depende de interferências externas e internas.

E como são apenas previsões, o agricultor sabe, verdadeiramente, que a natureza manda seus recados. Seus avisos. E todos estão atentos aos detalhes e fazem florescer, no campo e na cidade, a esperança renovada, igual ao nascer de uma criança: o futuro há de ser melhor. O amanhã deve sr diferente.

Esse fiozinho de esperança, essa lição que vem do campo, deveria estar presente nas cidades. Afinal, a fé em dias melhores deveria prevalecer em todos os ambientes, de que a mudança pode acontecer a qualquer momento. A vida, independentemente de onde estiver, deve ser plena. Em todos os aspectos.

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