terça-feira, 27 de outubro de 2015

Antecipação de royalties e construção de santuário

Que bela justificativa apresentada pela Prefeitura de Mossoró à antecipação dos royalties em R$ 40 milhões, pagando R$ 200 mil por alguns anos: a construção do Santuário de Santa Luzia, além de pagar contas "deixadas pelas administrações passadas", além do passivo da atual gestão, conforme foi publicado nesta terça-feira no jornal Gazeta do Oeste.

Como é que o cidadão vai acreditar nessa história? Como crer que os R$ 40 milhões serão, realmente, suficientes para pagar todos os débitos e ainda construir o Santuário de Santa Luzia? Se ninguém sabe quanto a Prefeitura realmente deve, como saber que o valor a ser pleiteado à Agência Nacional de Petróleo (ANP) vai, realmente, atender ao que se diz? Sim, porque, ao que se sabe, somente à PreviMossoró o Executivo tem que pagar uma dinheirama: mais de R$ 30 milhões. Sem falar nas dívidas com fornecedores e empresas que trabalham ofertando a mão-de-obra terceirizada. Faltam medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS's) e nas Unidades de Pronto Atendimento não existe uma pequena lanterna para o médico observar garganta e ouvido dos pacientes. E como é que se fala em usar a verba antecipada dos royalties na construção do Santuário de Santa Luzia?

Com todo respeito à religião católica, mas a Diocese de Santa Luzia não deve cair nessa promessa. Aliás, diga-se que a construção do Santuário já foi prometido antes. E nenhum tijolo foi assentado. Agora vem essa conversa de novo? Sinceramente, a Prefeitura de Mossoró não paga nem promessa a santo. Santa Luzia que o diga. E se a Diocese cair nessa furada novamente, é gostar de ser enganada. Por tudo o que foi dito, pelo estardalhaço feito quando do lançamento da tal "pedra fundamental", esse santuário não passa de um engodo da Prefeitura para tirar o foco de algum problema. E olhe que são muitos.

O Ministério Público deve ficar atento a tudo isso. Pegar verba pública para construir algo que, no atual momento, não teria serventia pública, é jogar dinheiro público fora. Somente com  uma Prefeitura rica aconteceria isso. E olhe que nem poderia acontecer, pois existe a história da laicidade do Estado. E se a PMM insistir nessa história, nesse engodo, estaria abrindo um precedente para as outras religiões pleitearem santuários diversos.

O blog repete o que já disse antes: falta planejamento e bom senso à Prefeitura de Mossoró. No material da Gazeta do Oeste não tem uma fala que possa ser atribuída ao prefeito Francisco José Júnior. Mas se o material foi publicado, certamente algum auxiliar do prefeito passou a informação. E quem passou tal informação não tem nenhum tino público. Enquanto o município inteiro, de norte a sul, passa o pão que o diabo amassou com problemas diversos, algum auxiliar fala que a antecipação dos royalties se destina, também, à construção de algo que, efetivamente, não vai curar as mazelas do corpo. Para os males da alma, o cidadão busca o suporte de Deus e de Santa Luzia. Não precisará ir a um santuário para orar e pedir, ao menos, bom senso na aplicação dos recursos públicos.

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