segunda-feira, 5 de outubro de 2015

'A UERN fez um acordo com o Governo do Estado'

Diante do impasse envolvendo o Governo do Estado e a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), com relação à greve de professores e técnicos administrativos, o blog conversou com o reitor Pedro Fernandes para analisar alguns temas que foram colocados, pelo próprio governo, e os quais evidenciaram pouca vontade do Executivo em resolver o problema. Abaixo o bate-papo com o reitor:

O Governo do Estado divulgou nota na imprensa, em página paga, na qual afirma categoricamente que a tem pago para manter a greve de professores e técnicos administrativos da Uern. E elencou uma série de elementos com o objetivo de reduzir o movimento paredista. Como o senhor analisa o comportamento do Governo com relação a esse fato?
No momento em que soube da nota, estávamos no Teatro Dix-Huit Rosado, aguardando o início da solenidade de assembléia universitária, em comemoração aos 47 anos da UERN. Confesso que não li naquele momento, em virtude da ansiedade para o início da solenidade. Depois que li a nota, fiquei surpreso com o teor e comentei no grupo de whatsapp dos secretários do RN, no qual faço parte, que pela grandeza de nossa instituição, a UERN merecia pelo menos os parabéns e que por pertencer ao Estado, o Governo pode muito se beneficiar com sua única Instituição de Ensino Superior.

Já se fala em judicialização da greve da Uern.... 
Sim, tenho lido isso na imprensa. 

Trata-se da mais longa greve da Universidade. Por quais motivos não se chegou a um entendimento?
Paradoxalmente, pela clareza dos dados. A UERN fez um acordo com o Governo do Estado e fez seu dever de casa, adotando uma política de austeridade arrojada e assegurando que em seu orçamento o acordo pudesse ser cumprido. Ao mesmo tempo em que o RN encontra-se acima do limite legal imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Então de um lado, temos a redução das despesas, orçamento e o entendimento legal de que possa se fazer uma substituição de remuneração, do outro a LRF.

O governo tem alegado a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas o reajuste já havia sido assegurado pelo próprio Governo. A Uern se preparou para o atendimento do pleito da categoria?
Exato. Comprovamos isso no levantamento contábil que entregamos ao governo. A reposição, nos índices que haviam sido acordados, não exigia suplementação e hoje ainda temos condições orçamentárias para pagar o retroativo a maio. 

O governo passa a ideia de que a greve teria resquícios políticos e inclusive exonerou a professora Socorro Batista da Secretaria Estadual de Educação, onde ela era adjunta. O senhor vê elementos que possam fazer ilações políticas partidárias com o movimento de professores e técnicos?
Não percebi essa ideia por parte do governo e nem evidencio nenhum elemento para que se faça esse tipo de inferência.

Como acreditar em um governo que, definitivamente, põe culpa em professores e técnicos e alude que a Universidade tem saído "cara" para o governo?
Entendo que temos a responsabilidade e compromisso de fazer com que a sociedade norte-riograndense participe da UERN e que ela faça sua avaliação. Recentemente, o Governo discutiu amplamente o Plano Plurianual em vários municípios. Tenho certeza que a UERN foi citada várias vezes, como formadora de recursos humanos e como instrumento importante para implementação de políticas públicas. Como sempre, nos colocamos a disposição para realizar tal debate.

O senhor consegue visualizar, na atitude do governo, alguma ação de "boicote" à Academia?
Não vejo tentativa de boicote.  A grandiosidade da UERN não permite qualquer tentativa de esvaziamento. A reação de segmentos significativos como  a Igreja e manifestação nas redes sociais provam que nossa UERN faz o que se espera de uma instituição pública: devolve recursos nela investidos através de profissionais preparados e serviços de qualidade para a sociedade potiguar.

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