quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Quem deve ser responsabilizado?

Um soro. Uma mulher. Um chão. Um hospital. Uma morte. Ao unir estas palavras, o resultado é um só: indignação. O caos no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), mantido pelo Governo do Estado, reflete o abandono a que é submetido o cidadão que paga seus impostos para garantir, ao menos, o mínimo de política pública que consta da Constituição Federal: direito à saúde

 Infelizmente tal direito não se concretiza. O Artigo 5º da CF vem sendo desrespeitado continuamente e o resultado não poderia ser outro, que não seja a matança por omissão do poder público. A morte de uma senhora, ocorrida no HRTM, quando estava tomando soro e não resistiu a um infarto, merece reflexão. E profunda.

Por falta de investimento e de atenção, o mínimo que fosse, uma cidadã morreu no chão. Por falta de leitos. Por falta de zelo. Por falta de tanta coisa que não seria possível enumerar em um momento de completa indignação. O fato leva à conclusão de que os cidadãos, principalmente os que necessitam da atenção do poder público, estão entregues ao mais completo abandono.

O sistema de saúde pública potiguar vive seus piores momentos. Principalmente na segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. E quando se fala em saúde pública, não se entenda como sendo algo gratuito, pois não é. Os serviços que deveriam ser ofertados pelos governos são pagos. O Sistema Único de Saúde é bancado por todos os cidadãos. E se tal serviço é custeado, o mínimo, pelo menos, deveria estar ocorrendo. Mas não é o que acontece.

Uma senhora de 74 anos morta no chão do Hospital Tarcísio Maia, de referência regional, reflete bem o caos. Uma vida que deveria ter sido poupada se a saúde estivesse funcionando. Até quando o cidadão vai pagar, até com a própria vida, a falta de planejamento e de prioridades?

Para os que governam, a culpa é da crise. Mas quando pessoas morrem em um local que deveria preservar a vida e por falta de estrutura básica, refletir é necessário. E perguntar também: por quais motivos não se corta gastos excessivos? Por quais motivos não se reduz salários de presidente, governador, prefeitos e secretários, bem como de senadores, deputados federais e estaduais? Não seria a hora de enxugar a máquina pública? O número de cargos em comissão é verdadeiramente necessário?


As respostas, ao que se mostra a realidade, não virão. Governos, todos, seguem aumentando gastos. Apesar da crise. E remete à afirmação de que a dificuldade financeira seria apenas uma desculpa para que os serviços básicos, que são pagos pelos contribuintes, continuem seguindo a ordem “desnatural” das coisas. Ou seja: em vez de melhorarem, regridem e proporcionam, cada vez mais, uma situação de caos, abandono e de morte. 

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