quinta-feira, 25 de junho de 2015

Cadê a 'oposição raivosa'?

Interessante a afirmação do deputado federal Fábio Faria (PSD), dias passados, em Mossoró: de que o prefeito Silveira Júnior (PSD) enfrenta uma "oposição raivosa". Fábio, ao que parece, não tem acompanhado o noticiário político destas bandas. Tampouco tem participado de alguma coisa que remeta à discussão política. E as palavras do deputado seguem o modelo dito por seu pai, o governador Robinson Faria (PSD). Por sinal, Robinson anda bem sumido destas terras. E o motivo não poderia ser outro: promessas não cumpridas, governo pífio e cheio de contradições.

Vamos começar por Robinson: o governador disse, quando da negação ao atendimento de acordo feito pelo Governo do Estado com professores e técnicos administrativos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, que não teria como cumprir em virtude da chamada Lei de Responsabilidade Fiscal. Que não poderia conceder reajuste nenhum. E tal modelo segue o que se vê no Governo Federal: que tudo está em crise, que a arrecadação baixou e que é preciso arrecadar mais.

Como é que algum governante diz que não pode reajustar salário se, no começo do ano, aumentou o próprio ganho, bem como dos secretários? Querem passar a tese de que não se sabia nadica de nada da crise? Para que serviu, então, a transição? Não é para se inteirar sobre tudo, inclusive da ameaça de crise? Ou a transição é apenas uma fachada? Em seis meses de governo (incompletos), o governo Robinson Faria ainda não disse a que veio. Tirando o aumento do próprio salário, Robinson Faria segue o script bem antigo e manjado.

E, aplicando tal discurso a Mossoró, onde supostamente o prefeito enfrentaria "oposição raivosa" que tem o objetivo de "acabar" com a administração municipal, só um neófito em política poderia engolir tal tese. Menos, deputado. Menos.

A "oposição raivosa" que está minando a administração local é a mesma que apoiou e votou no seu pai ao Governo do Estado. É o eleitor, deputado, quem está insatisfeito com a inércia. São tantos problemas que, sinceramente, não vale nem à pena citar. Mas só para exemplificar: a Unidade de Educação Infantil (UEI) do bairro Quixabeirinha II fechou, temporariamente, por que teve seu fornecimento de energia elétrica suspenso por falta de pagamento. E mais: a limpeza pública na periferia está sem ser efetuada (e se existe, esta é falha). Quer saber onde, deputado? Vá circular pelos bairros Paredões, Bom Jardim, Quixabeirinha, Boa Vista, Aeroporto, Costa e Silva... Lá o senhor terá a resposta.

E mais: o blog reafirma o que já disse neste espaço: quem está acabando com a administração Silveira Júnior é a sua equipe. Especialmente a sua comunicação. Quantas vezes a titular da Secretaria Municipal de Comunicação esteve em algum órgão de imprensa para fazer uma simples visita? Se o blog não estiver equivocado, eis a resposta: nenhuma.

A comunicação se fechou. E os secretários, com algumas exceções, do mesmo modo. Falar com a secretária de Saúde é um tormento. Conversar com a titular da Cultura, nem pensar. Isso só para exemplificar o "caos comunicativo".

E ainda tem o fato de que projetos e ações sempre emperram em prazos. O mais recente exemplo diz respeito à frota de 35 ônibus da empresa paulista BR Buss, que atuará no transporte público da cidade. Não se sabe nada sobre tal contrato. Não se explica. Não se apresenta documentos. Sabe-se que o bendito contrato foi emergencial e que tem prazo de quatro meses. Ou seja: em outubro a cidade ficará, em tese, sem tal benefício. E como ficará o transporte público? Ninguém diz. Ninguém sabe. Ninguém viu.

Portanto, deputado, não tem essa "raivosidade" toda por aqui. O que existe é apenas uma equipe administrativa que ainda não encontrou o prumo, segue errando e permanece no erro.

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