quinta-feira, 21 de maio de 2015

O que é fazer a 'coisa' certa?

Algo está nebuloso nas explicações que surgem acerca do condomínio que pertence ao prefeito Silveira Júnior e os profissionais do "Mais Médicos" que lá moram. E o blog mantém o que já disse antes: o caso rende boa discussão de ordem ética e moral. Se existem indícios ao julgamento jurídico, isso é outra história.

Assim sendo, vamos renovar o que se disse, em outras palavras acerca da interpretação ou análise ética sobre o caso: ética é "fazer a coisa certa". Algo que se somente aquilo existir a ser feito, isto deve acontecer. E, diante disso, vem a primeira pergunta: existia apenas o condomínio em questão para acomodar três médicos? E esta dúvida remete à outra? Por quais motivos os médicos cubanos ameaçaram interromper os trabalhos se eles moram na zona em que as Unidades Básicas de Saúde estão inseridas? E de mais outra: se os médicos moram perto das UBS, por quais motivos a Prefeitura avisou que iria disponibilizar transportes por mais três meses?

A "coisa certa" que se fez atendeu aos objetivos de alguém, de maneira particular. E aqui entra a briga envolvendo Émile Durkheim e Max Weber. Entre as divergências dos dois teóricos da Sociologia, o blog fica com Max Weber, que aponta que uma "coisa" que é para uma pessoa não seria a mesma "coisa" para outra. Algo que se liga, diretamente, à questão ética.

Sem querer acusar ou defender alguém, pois isso fica para advogados, o blog diz que não é ameaçando processar alguém que está questionando a legitimidade ética do fato do residencial do prefeito ser alugado, parcialmente, aos médicos cubanos, que se terá "silêncio" de uns e outros. Advogado é igual a assessor de imprensa: é pago para assessorar alguém. E, como tal, defende os interesses do seu cliente. A lei que vale para uns é a mesma que vale para outros. Ou não vivemos em uma sociedade organizada norteada por uma Constituição que possui a mesma diretriz jurídica?

O blog leu atentamente as afirmações e "desafirmações" feitas pelo vereador Genivan Vale acerca do caso. E ele seguiu a linha já comentada neste espaço, de que a discussão é, a priori, ética e moral. Mas ele foi mais além e afirmou que um parente do prefeito teria "retirado" os médicos do hotel onde estavam e levado para o residencial pertencente ao prefeito. Isso, por si só, rende questionamento mais amplo, o qual o blog não possui capacidade para fazê-lo, pois isso fica a cargo do Ministério Público e da própria Justiça em si.

Se o Ministério Público entender que a discussão, que ainda está no campo ético e moral, deve ser aprofundada para o cenário jurídico, certamente isso acontecerá. Caso contrário, tudo que foi feito teria seguido alguns parâmetros éticos, da "coisa" que atende às necessidades apenas de um lado. E como vivemos em sociedade, que prevê o todo, apenas renderia mais questionamentos. E assim por diante.

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