segunda-feira, 6 de abril de 2015

Quem disse que a vida tem que ser aperreada?

A vida não está boa? A crise tá braba? As ruas estão esburacadas? O lixo toma conta da cidade? Ora, ora... Perguntas realmente tolas. E o pior é que se escuta isso em quase todas as esquinas de Mossoró. Como se o eixo do mundo fosse aqui. Como se ão existisse mais nada a se falar, a não ser criticas à atual administração. E, cá pra nós, quem fala isso está coberto de razão. Afinal, existe alguém para comandar uma cidade, zelar por ela, para cuidar do patrimônio público e fazer valer os votos que obteve quando se elegeu.

Mas que ninguém se engane: o caos não é algo particular de Mossoró. É só ampliar a visão um pouco para perceber que o Rio Grande do Norte vive, talvez, seu pior pesadelo. O blog diz isso com base em quem vivencia os dramas comuns a todos, dos problemas da saúde à educação. Da segurança à ao déficit habitacional. Da retirada sistemática de recursos do Fundo Previdenciário para pagar a folha de pessoal...

Mas Mossoró vive se jactando de ser pioneira em tudo. Até da vitória do governador Robinson Faria Mossoró quis levar a vantagem. E o blog, agora, não vê nada de vantagem nisso. Ainda não viu, diga-se de passagem. Até agora Robinson fez igual uma antiga manchete em um dos jornais locais: veio, viu, olhou e foi embora.

Assim fez Robinson: veio. Viu os problemas. Olhou as mazelas existentes no berço da liberdade e simplesmente... Foi embora.

A mídia palaciana envia, diariamente, notícias acerca do fazer administrativo do prefeito Francisco José Júnior. Nesta segunda-feira ele esteve em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e, de lá, concedeu entrevista à uma emissora de rádio local. Falou que existiriam quatro médicos de plantão nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA's) para atender o cidadão. Disse isso e saiu. Mas suas palavras ficaram mastigando o juízo de algum ouvinte e dois ligaram. Pediram juízo, verdade e lógica no serviço público. Talvez as palavras ditas pelo prefeito foram as que chegaram até ele da Secretaria Municipal de Saúde.

Fala-se em limpeza pública, mas a periferia padece de sujeira. Fala-se em decreto para conter despesas, mas estas aumentam. O Jornal de Fato tem noticiado aumento contínuo em algumas áreas, como a locação de veículos.

Fala-se em corte de 10% no salário do prefeito, vice-prefeito e secretários (inclusive os adjuntos). Mas não se sabe quanto cada um ganha. Antes se poderia checar essa informação no Portal da Transparência, mas agora tal informação foi suprimida. E o cidadão que quiser saber quanto o prefeito ganha, por exemplo, fica impedido. Daí não se saber se os 10% representariam grande coisa em um serviço que vai de mal a pior.

O Teatro Municipal Dix-huit Rosado está "descascando", está perdendo sua pele. Está igual a algumas ruas do Centro e da periferia: esburacado e sem previsão de melhoras. Igual à saúde do povo mossoroense, que está entregue à dengue, uma epidemia, e não se tem nenhuma informação acerca de carro fumacê por estas bandas.

E ainda tem quem ache tudo lindo e perfeito. Que tudo o que se diz é porque se faz oposição raivosa, desnecessária e oportunista.

Não é por aí. A cidade está ruindo. O caos, se não for tratado, aumentará as feridas que já atormentam a vida de quem não tem condições de aplicar um mega hair ou circular por aí em carros que custam R$ 200 mil ou mais. A vida de quem não tem condições de dar uma voltinha de jatinho, avião ou helicóptero está em jogo. A vida de quem não tem condições de comprar fazendas, terrenos em condomínio de luxo ou pagar um buffet para um simples almoço está em jogo.

O que se fala aqui é da vida de quem come feijão e arroz, talvez com o velho e bom "bife do olhão", e se dar por satisfeito. Pois o amanhã sempre pode ser melhor do que o hoje e nunca igual ao ontem. Mas esse amanhã, ao que se configura, está longe. Até porque o que permeia a roda de conversa de quem decide o futuro de todos é se Dilma Rousseff (PT) sabia ou não do escândalo que desviou milhões de Reais da Petrobras.

Enquanto isso, crianças passam fome na periferia. Falta feijão na mesa do trabalhador. E a conta de luz só aumenta. Não dá mais para circular com o carrinho comprado às custas de muito suor. Mas não falta, nunca, queijos (dos melhores), pão integral e outras regalias gastronômicas na mesa de quem deveria zelar pelo maior patrimônio de uma cidade, Estado ou país: o cidadão.


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