quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

HRTM sem lenço e sem medicamento

Quem precisar de atendimento médico de urgência e emergência no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) vai, certamente, entrar em um novo bloco de carnaval: o de diretores demissionários. O Governo do Estado ainda não nomeou substitutos para a diretoria do hospital de maior importância para Mossoró e região.

Se o quadro já era grave, com a falta de medicamentos e de materiais mínimos aos setores de urgência e emergência quando se tinha diretores, imagine agora, quando nenhum deles tem interesse em permanecer nos cargos. A regra parece ser clara e o cenário que se apresenta, idem: o HRTM está sem comando e sem rumo e tende a piorar no carnaval.

Certamente, os diretores demissionários não ficarão de plantão neste período. Já se diz que não se pode cobrar nada agora do atual Governo Estadual, que ainda vivencia transição. Ora, isso não existe. Não se trata aqui de nenhuma esmola ao cidadão. Saúde faz parte das políticas públicas inerentes ao viver em sociedade, e se ocorrem falhas, o problema se torna de todos.

O governador Robinson Faria deve ficar atento aos detalhes, sob pena de ser considerado culpado em caso de mortes por falta de atendimento. Algo que aconteceu dias passados e merece ser investigado pelo Ministério Público. Diz-se por aí que um nome à diretoria-geral do Hospital Regional Tarcísio Maia teria sido apresentado ao governador Robinson Faria: o médico Haroldo Duarte. Nome exposto pelo prefeito mossoroense Francisco José Júnior.

O interino, contudo, foi informado que o médico teria respondido que assumiria a função se o Governo do Estado apresentasse as devidas condições de trabalho. Leia-se aquisição de equipamentos e de medicamentos. O que não se pode é deixar que um hospital do porte do Tarcísio Maia fique à deriva, sem comando. E o pior: sem medicamentos.

O cidadão não pode ser penalizado. E volta-se a um aspecto já comentado neste espaço: o atual governador foi eleito aos auspícios de promessas relacionadas à melhoria dos serviços básicos e essenciais à população, como saúde, educação e segurança. Se Robinson venceu, foi porque o eleitor acreditou e confiou que ele seria a melhor opção para o Rio Grande do Norte.

Daí, a cobrança ser bem maior. O que não se pode é admitir a falta do básico do básico. Diz-se que o tripé da sociedade (saúde, educação e segurança) não apresenta problema isolado e que apresenta danos em todas as esferas. O interino vê isso como mera desculpa pela incapacidade de resolver questões que são tidas como crônicas.

Ou governantes que foram eleitos apresentam trabalho ou estarão fadados ao insucesso político. Afinal, administrar não é somente dizer que vai fazer isso e aquilo; é colocar em prática o que prometeu. E isso está em falta. Não só por estas bandas.

Questão de prioridade
Em um momento crucial, com a falta d’água ameaçando parar tudo – pois não se terá como movimentar um dos setores mais importantes da economia, que é a agricultura –, investir na realização de carnaval é querer perpetuar uma velha máxima: que o povo se esquece de tudo se houver uma bandinha sobre trio elétrico. Municípios que suspenderam seus carnavais estão certos. Todo mundo sabe que o desperdício de água é grande em tempos de folia. E a água que é gasta nas ruas fará falta, consequentemente, nas torneiras. Só uma questão de prioridade. E carnaval, com tantos problemas em evidência, fica em último plano.

Portal
O presidente da Câmara Municipal de Mossoró, vereador Jório Nogueira (PSD), está disposto a incrementar ações que possam auxiliar o acesso aos trabalhos legislativos. Uma delas diz respeito ao portal da Casa. É que hoje, quem quiser fazer alguma pesquisa sobre as leis municipais, enfrenta sérios problemas: não existe site nominal, e quem não souber usar a Internet, tem dificuldades em encontrar o que busca. Em vez de letras, números representam o que deveria ser o endereço virtual da Câmara.

Morte política
O interino assistiu, dias passados, ao filme “O Bem Amado”. E como existem Odoricos Paraguassu por estas bandas potiguares. Obras que demoram, promessas esquecidas... Embora governos recebam verbas a cada 10 dias, a alegação para a solução de problemas é sempre a mesma: escassez de recursos. Tudo em nome da crise. Interessante é que, quem assistir ao filme, identifica traços peculiares com alguma situação. Odorico, o da obra de Jorge Amado, embora fictício, possui particularidades reais. Um homem que visa o bem próprio, em detrimento de todos. Quer se dar bem acima de tudo.  No final, morre.

Dilma vai falar? 
Especula-se que a presidente Dilma Rousseff (PT) irá fazer pronunciamento em cadeia de TV e rádio para apresentar uma espécie de prestação de contas sobre o combate à corrupção. Tudo depois que pesquisas apontaram queda na popularidade dela. E, cá para nós, Dilma deveria fazer muito mais que um simples pronunciamento. A queda da popularidade não tem ligação alguma com a corrupção, pois é algo que os brasileiros já sabiam. Tem a ver com a quebra na palavra que ela deu na campanha passada. Disse uma coisa e fez outra. E o próprio PT está cobrando coerência entre o que foi dito e ações de governo.

Ser do contra
Partidos políticos que criticam esse ou aquele meio de comunicação se esquecem que precisam da mídia, de alguma forma. Que a opinião pública se faz a partir do contraditório. Em meio às falácias que são ditas, esquerdistas se apropriam de algo para defender o que, no passado, pareceu-lhes equivocado. O poder inebria até o mais centrado dos socialistas. E o mundo capitalista se faz presente a cada vez que alguém apresenta alguma acusação. Seja de qual ordem for. A alegação contrária a isso é sempre a mesma: quer dinheiro.

Cláudia ainda tenta
A esta altura do campeonato, falar em retorno de Cláudia Regina (DEM) à Prefeitura de Mossoró seria complicado. Poucos creem. Os processos que transitam pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entram em fase final. O interino deu uma olhadinha nas movimentações e viu que os advogados dela entraram com agravo regimental em decisões monocráticas da ministra Maria Thereza Rocha de Assis Moura.

Consórcio na saúde
O governador Robinson Faria vai propor uma espécie de consórcio da saúde aos Municípios para a melhoria no atendimento aos 25 hospitais regionais. Proposta já feita no passado e devidamente recusada. Como a situação é outra, pode ser que a coisa ande. O anúncio foi feito por Robinson ontem, durante reunião liderada pela Federação dos Municípios do RN (FEMURN), que é presidida pelo prefeito Silveira Júnior, de Mossoró.

Suporte ao ambulante
A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Mossoró manteve contato com o interino para informar que os ambulantes que serão retirados do Centro da cidade receberão treinamento no Sebrae com foco à legalização. Disse que haverá unificação de aluguel e taxa de condomínio e que o valor não será exorbitante. A questão envolve, disse a Comunicação, apoio ao microempreendedorismo.

Curtas
1 – Dias contados para a folia começar (onde tem carnaval). Contudo, muitos preferem o silêncio e uma boa alternativa seria buscar as serras de Martins e Portalegre. Retiros religiosos também são boa pedida.

2– A Comunicação da Prefeitura de Mossoró informou que o cancelamento de licitação relacionado ao santuário de Santa Luzia se deu para ajustar detalhes do edital.

3– A Comunicação da PMM informou também que novo edital será lançado e que o anúncio deverá ser publicado no Jornal Oficial do Município (JOM) nos próximos dias.

4– O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) determinou novo afastamento da prefeita de Baraúna, Luciana Oliveira (PMDB). Assume o presidente da Câmara, David Clay. Uma novela sem fim.

5– O surgimento do PL, quando este for anunciado, deverá provocar baixas na Câmara Municipal de Mossoró. Do DEM, os dois vereadores deverão migrar para o “novo” partido.

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