quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A morte vem para todos

O que falar sobre a morte? O que dizer a quem fica? O que falar sobre quem se vai? O que comentar?  São perguntas e mais perguntas quando a gente se vê obrigado a encarar algo que ninguém quer. Não porque o ex-governador pernambucano Eduardo Campos tenha morrido em desastre de avião já noticiado pela imprensa mundial. Não pelo fato dele ter deixado uma mulher viúva e cinco filhos. Não pelo fato dele estar, em vida, na terceira posição - segundo pesquisas - à presidência do Brasil.

Não se trata de endeusar ou macular imagem de quem se foi. De quem partiu.

Mas a morte é algo chocante. Fragiliza todos nós. Até porque ninguém escapa dela. Mas a maneira como ela vem é que causa esse estado de fragilidade. Emocional. E grande.

Uns até tentam tirar proveito de tragédias como a que vitimou Eduardo Campos. Outros tentam rir da desgraça alheia. Como se a vida não tivesse valor algum. Como se não valesse à pena viver. Como se nada valesse à pena. A não ser a desgraça, o desastre e a morte.

Deveriam se colocar no lugar de quem ficou. Especificamente das famílias dos sete tripulantes daquele avião. Deveriam imaginar a dor que a mulher, filhos, mães e pais estão sentindo. Deveriam, ao menos, fingir que são humanos. Sim, porque quem tenta rir da desgraça, da morte de uma pessoa, certamente não faz parte deste mundo. É algo sem coração, sem sentimento. Sem respeito ao próximo.

Política não se faz com mesquinharia. Com morbidez. Com ironias ou com sentimento menor. Quem hoje rir da desgraça de alguém, seja ela qual for - morte, desemprego ou quaisquer outros problemas - certamente nunca passou por situação vivenciada hoje pela família dos que morreram na tragédia acontecida em Santos/SP.

Uma vida, seja ela qual for, deve ser respeitada. Sempre. E também sempre que uma vida se esvai, seja de qual modo for, é preciso que o respeito aos familiares de quem partiu fique em primeiro plano. Afinal, um dia todos vamos sentir a dor de deixar este mundo e seguir os planos de Deus. A morte vem para todos. Ninguém escapa. E quem tripudia da desgraça alheia também vai morrer. Isso é certo. Tão certo que ainda não encontraram nenhum medicamento ou tratamento que trate da imortalidade do corpo.

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